Relatório de 170 páginas aponta que laudos periciais não encontraram lesões recentes
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou formalmente o arquivamento das investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis.
O pedido foi encaminhado à Justiça após uma análise detalhada de novas diligências que, segundo o órgão, não trazem evidências suficientes para comprovar que o animal tenha sido agredido por adolescentes, conforme apontava a linha de investigação inicial da Polícia Civil.
Inconsistências técnicas
A conclusão das promotorias de Justiça foi baseada em um robusto relatório que analisou quase dois mil arquivos digitais, incluindo vídeos, dados de celulares e fotografias.
Um dos pontos centrais para o pedido de arquivamento foi a identificação de inconsistências na cronologia dos fatos.
O MPSC identificou diferenças de tempo nos registros de câmeras públicas e privadas, o que alterou a versão de que suspeitos e o cão estariam no mesmo local no momento do suposto crime. Além disso, não houve qualquer registro que confirmasse a presença de Orelha na faixa de areia no instante da alegada agressão.
O aspecto técnico da perícia também foi determinante. Após a exumação do corpo do animal, os laudos descartaram a existência de fraturas ou lesões compatíveis com agressões físicas recentes. Os exames apontaram que o cão sofria de uma infecção óssea grave e antiga na região da face, o que pode ter contribuído para o seu estado de saúde debilitado. O Ministério Público reforçou que o animal apresentava sinais clínicos de uma condição preexistente e não de um trauma causado por ação humana externa naquele período.
Outro ponto destacado no documento enviado ao Judiciário foi a influência de boatos e informações falsas que circularam intensamente nas redes sociais durante o período de apuração.
Segundo o MPSC, essa disseminação contribuiu para uma fixação precoce e equivocada da autoria do crime, prejudicando a análise isenta dos fatos. Diante desse cenário, o órgão também solicitou que os autos sejam encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil para avaliar possíveis irregularidades na condução do inquérito e na divulgação de informações sigilosas envolvendo os adolescentes investigados.
Com o pedido de arquivamento protocolado, cabe agora ao Poder Judiciário decidir se aceita a conclusão do Ministério Público ou se determina novas providências.











