A morte não é o fim: Dia de Finados e seu significado

Celebração foi instituída por um santo francês.


Neste dia 2 de novembro é celebrado o dia de Finados pela Igreja Católica, data a qual decidida para homenagear os falecidos, rezando e visitando seus túmulos nos cemitérios. A origem da data remete ao século X, instaurada pelo Santo francês Odilo de Cluny.

Ele sugeriu, no dia 02 de novembro de 998, aos membros de sua abadia que, todo ano, naquele dia, dedicariam suas orações à alma daqueles que já se foram. A ação de Odilo resgatava um dos elementos principais da cosmovisão católica: a perspectiva de que boa parte das almas dos mortos está no Purgatório, passando por um processo de purificação para que possam ascender ao Paraíso.

A da formalização e da oficialização ter ocorrido apenas no século X, já havia uma data em memória aos mortos desde os tempos pré-cristãos, inclusive em culturas do chamado paganismo antigo.

Para Santo Agostinho, a morte não é o fim 

Santo Agostinho viveu por volta de 400 d.C. e, desde então, suas obras têm sido lidas e estudadas na Europa e no resto do mundo. Ele foi um dos pensadores mais renomados do mundo antigo. Suas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo.  

Muito antes de a Igreja Católica institucionalizar o Dia de Finados, um livro lançou as bases para como os cristãos acabam tratando os mortos. Trata-se de De Cura pro Mortuis Gerenda, texto do ano 421, atribuído ao teólogo Agostinho de Hipona (354-430), o Santo Agostinho.

“A Igreja tomou para si o encargo de orar por todos aqueles que morreram dentro da comunhão cristã e católica. Ainda que não conheça todos os nomes, ela os inclui numa comemoração geral”, diz parte da obra.

Ele não propõe a morte como fim da vida e não transmite sentimentos de incerteza, desespero ou terror que comumente são ligados a esse evento. Santo Agostinho vê a morte como uma condição natural, como uma passagem ou uma transformação do estado da vida a um estado diferente, mas natural, que mantém sua continuidade com a existência terrena.

“A morte não é nada. Apenas fiz a passagem para o outro lado: é como se estivesse escondido no quarto ao lado. Eu sempre serei eu e tu serás sempre tu. O que éramos antes um para o outro o somos ainda.”

O que a Igreja Católica diz sobre a cremação?

A Igreja Católica recomenda que se conserve o costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, a não ser, que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina Cristã.

De acordo com o padre Rafael Uliano, e Igreja Católica recomenda que os corpos sejam sepultados em um cemitério ou em um lugar sagrado. 

“As sepulturas dos cemitérios ou em outros lugares sagrados, responde adequadamente à piedade e ao respeito devido aos corpos dos fiéis defuntos. Enterrando os corpos dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressureição da carne, e se separa de comportamentos e ritos que envolve de concepções erradas sobre a morte”, afirma o padre Rafael Uliano.

Embora a cremação não seja proibida, as cinzas dos defuntos devem ser conservadas, por norma, em um lugar sagrado. Ou seja, em um cemitério, igreja ou um lugar dedicado para este fim, que é determinado por uma autoridade eclesiástica.

O Vaticano, em 2016, divulgou as regras para a cremação de católicos, que incluem a proibição à conservação das cinzas do morto em casa, evitando que elas se tornem “lembranças comemorativas”.

As normas estão presentes em uma instrução da Congregação para a Doutrina da Fé aprovada pelo papa Francisco. De acordo com o documento, se for escolhida a cremação, as “cinzas do defunto devem ser mantidas em um lugar sacro, ou seja, nos cemitérios, e a conservação das cinzas no ambiente doméstico não é permitida”.

O Vaticano abre exceção apenas para casos envolvendo circunstâncias graves e excepcionais, dependendo das condições culturais de caráter local. Porém, as cinzas não devem ser divididas entre os entes familiares, e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação.

Também não é permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra, na água ou em outro qualquer lugar, bem como conservar as cinzas cremadas em peças de joalheria ou outros objetos de enfeites.

Assista ao vídeo completo abaixo:

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