Mergulhador é preso em Imbituba por esconder cocaína em cascos de navios

20 de maio de 2026

Alvo foi detido durante a Operação Tirocinium; esquema internacional movimentou bilhões, e Justiça bloqueou R$ 646 milhões do grupo

O município de Imbituba foi um dos pontos centrais da Operação Tirocinium, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (19). A grande ofensiva nacional teve como objetivo desarticular uma organização criminosa de alta periculosidade especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro, que utilizava mergulhadores profissionais e a infraestrutura dos portos catarinenses como trampolim para enviar carregamentos de cocaína para a Europa e para o continente africano.

Tática sofisticada de ocultação

As investigações da Polícia Federal revelaram um método audacioso adotado pela organização: o grupo contratava especialistas em mergulho para realizar a fixação de grandes volumes de cocaína na parte submersa dos navios, alojando a droga diretamente nos cascos e caixas de mar das embarcações de carga.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, um dos mergulhadores profissionais apontados como integrante do esquema foi localizado e preso em Imbituba. Outros dois profissionais que exerciam a mesma função subaquática para o bando foram detidos nas cidades de Tijucas e São Francisco do Sul.

A nível macro, a Operação Tirocinium mobilizou centenas de agentes federais para cumprir um pacote de 18 mandados de prisão preventiva, 31 mandados de busca e apreensão e quatro ordens de monitoramento eletrônico com uso de tornozeleira. O cerco ocorreu simultaneamente em municípios de Santa Catarina, do Paraná e de Minas Gerais.

Apreensões históricas

O trabalho de inteligência policial teve início ainda em 2023, após sucessivos flagrantes de entorpecentes registrados nas áreas portuárias de Navegantes, Itapoá e no próprio Porto de Imbituba. 

Ao longo de todo o período de investigação, as forças de segurança conseguiram interceptar e apreender um montante impressionante de aproximadamente 4,6 toneladas de cocaína, além de efetuar sete prisões em flagrante no decorrer das diligências.

Na terça-feira, ao revistarem os endereços dos suspeitos, os policiais civis e federais se depararam com um forte poder de fogo nas mãos dos criminosos. Foram apreendidos fuzis, pistolas, munições de diversos calibres, granadas e até mesmo uma metralhadora calibre .50 – armamento de guerra com capacidade para derrubar aeronaves.

Lavagem de dinheiro

Para fazer circular os recursos financeiros oriundos do tráfico, a organização criminosa mantinha uma rede de empresas de fachada, operadores falsos (laranjas) e simulava transações comerciais fictícias no mercado. 

Diante do tamanho da estrutura financeira, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 646 milhões de reais depositados em contas bancárias vinculadas ao grupo, bem como o sequestro de 36 bens imóveis e a apreensão de veículos de luxo.

Em Santa Catarina, além da forte presença em Imbituba, as ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Joinville, São Francisco do Sul, Araquari, Balneário Camboriú, Itajaí, Tijucas, Barra Velha, Garuva e Jaraguá do Sul, sufocando as principais bases logísticas do grupo no estado.