Nota pública sobre a operação do Aeroporto Regional de Jaguaruna

4 de maio de 2026

Por Padre Rafael Uliano

No dia 02 de maio, o voo LA4770, operado pela LATAM Airlines Brasil, partindo do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos com destino ao Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi, enfrentou uma situação que, infelizmente, não é inédita — e que exige uma reflexão séria, responsável e, sobretudo, providências concretas por parte das autoridades competentes.

Ao tentar o pouso em Jaguaruna, a aeronave foi obrigada a arremeter em razão das condições de vento, agravadas pela limitação operacional do aeroporto, que dispõe de aproximação por instrumentos em apenas uma das cabeceiras. Após tentativas e espera razoável na expectativa de melhora das condições, a decisão foi desviar para o Aeroporto Internacional de Florianópolis.

É importante reconhecer que a decisão técnica do comandante visou, como deve ser, a segurança de todos. Contudo, a situação evidencia uma fragilidade estrutural que não pode mais ser ignorada: a ausência de instrumentos de navegação em ambas as cabeceiras da pista de Jaguaruna limita significativamente a operação do aeroporto, especialmente em condições meteorológicas adversas — algo absolutamente previsível em regiões costeiras.

A consequência direta é a penalização dos passageiros e, igualmente, das companhias aéreas. O episódio em questão não se encerra no desvio do voo. Em Florianópolis, foi informado aos passageiros que havia um voucher para alimentação. No entanto, orientações desencontradas levaram muitos a embarcarem imediatamente no transporte terrestre, sem usufruir do benefício. O deslocamento, por sua vez, ocorreu sem a devida consideração às realidades locais: negativa de parada intermediária em Tubarão, ausência de estrutura adequada ao chegar em Jaguaruna, dificuldades de comunicação por falta de sinal telefônico e acesso restrito à internet, além da escassez de transporte disponível em horário avançado.

Esses fatos, somados, configuram uma experiência desgastante e desrespeitosa ao usuário do sistema aéreo regional. Mais grave ainda: colocam em risco a própria sustentabilidade das operações comerciais no aeroporto. Não é razoável exigir que empresas mantenham voos regulares em um terminal cuja infraestrutura não oferece condições mínimas de previsibilidade operacional.

Diante disso, impõe-se uma chamada de atenção firme às autoridades responsáveis pela gestão e investimento em infraestrutura aeroportuária. É urgente a implementação de sistemas de aproximação por instrumentos em ambas as cabeceiras da pista do aeroporto de Jaguaruna. Trata-se de uma medida técnica, amplamente conhecida e adotada em aeroportos que buscam confiabilidade operacional.

O Sul de Santa Catarina não pode permanecer refém de limitações estruturais que comprometem sua integração logística, seu desenvolvimento econômico e a dignidade de seus cidadãos. A melhoria da infraestrutura do aeroporto de Jaguaruna não é um luxo — é uma necessidade.

Que este episódio sirva não apenas como relato de um transtorno, mas como ponto de inflexão para decisões responsáveis e eficazes.

Que se priorize, com urgência, aquilo que é básico: segurança, previsibilidade e respeito ao passageiro.

Rafael Uliano
Tubarão, SC, 03 de maio de 2026.