Esquema envolvia cobrança ilegal, manipulação de agendas e uso da estrutura pública para realizar procedimentos pagos.
Um médico do meio-oeste catarinense foi condenado a 17 anos e meio de prisão por comandar um esquema de cobrança ilegal para realizar cirurgias que deveriam ser feitas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A sentença aponta que o profissional oferecia aos pacientes a possibilidade de “pagar para operar mais rápido”, utilizando argumentos sobre a demora na fila e o risco de agravamento da doença. Os valores exigidos chegavam a R$ 1,2 mil.
De acordo com o processo, o esquema era viabilizado com a ajuda de um operador do sistema do hospital, responsável por manipular agendas, alterar classificações de urgência e inserir cirurgias pagas em horários destinados a procedimentos públicos. Enquanto o médico recebia diretamente o valor cobrado, parte do dinheiro era repassada ao cúmplice. As operações eram realizadas usando salas, equipamentos e equipe do próprio hospital.
Relatos de pacientes revelam que houve pressão emocional, fornecimento de informações manipuladas, mudança de postura do médico em caso de recusa ao pagamento e até orientações para mentir na triagem. As cobranças eram feitas tanto dentro quanto fora do hospital, por transferência bancária ou em dinheiro.
A irregularidade foi descoberta após denúncias e análise detalhada de documentos, horários e depoimentos. Além do médico, o operador também foi condenado. Embora ambos possam recorrer, o médico já perdeu sua função pública devido à sentença.











