Compromisso com a Informação
Compromisso com a Informação

EXCLUSIVO: Santa Catarina confirma primeira morte por febre do Nilo Ocidental na história

24 de agosto de 2026

Vítima era uma mulher de 77 anos e morreu no dia 8 de agosto; superintendente de Vigilância em Saúde confirmou informação ao repórter Geovane Martins

Santa Catarina teve a primeira confirmação de morte por febre do Nilo Ocidental no Estado. O caso aconteceu em Itapirubá, no município de Imbituba, no Sul de Santa Catarina. 

A vítima era uma mulher de 77 anos, que morreu no dia 8 de agosto. A informação foi confirmada com exclusividade ao repórter Geovane Martins pelo superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Fábio Gaudenzi.

Segundo Gaudenzi, a paciente foi infectada pelo vírus do Nilo Ocidental após a picada de um mosquito infectado.

Apesar da confirmação do óbito, o superintendente destacou que, até o momento, o caso é considerado isolado. A ocorrência, no entanto, chama a atenção das autoridades de saúde, especialmente por se tratar de uma doença pouco comum no Estado.

O que é a febre do Nilo Ocidental?

A febre do Nilo Ocidental é uma doença causada pelo vírus do Nilo Ocidental (WNV), pertencente à família dos flavivírus. O ciclo natural do vírus envolve principalmente aves e mosquitos.

As aves atuam como hospedeiras do vírus. Os mosquitos podem adquirir o agente ao picá-las e, posteriormente, transmiti-lo a pessoas e outros animais.

A transmissão para seres humanos ocorre principalmente pela picada de um mosquito infectado. A doença não é normalmente transmitida de pessoa para pessoa pelo contato cotidiano.

Quais são os sintomas?

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 80% das pessoas infectadas permanecem assintomáticas.

Cerca de 20% podem desenvolver a febre do Nilo Ocidental, apresentando sintomas como febre, dor de cabeça, cansaço, dores no corpo, náuseas, vômitos e, em alguns casos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.

Em uma pequena parcela dos infectados, a doença pode evoluir para uma forma grave, conhecida como doença neuroinvasiva. Nesses casos, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e provocar meningite, encefalite e outras complicações neurológicas.

Pessoas idosas e indivíduos imunocomprometidos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Doença já havia sido identificada no Brasil

Embora o caso de Santa Catarina tenha grande relevância epidemiológica, o vírus do Nilo Ocidental não é desconhecido no Brasil.

Um estudo que analisou dados de 2014 a 2024 identificou 110 casos de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental em 13 dos 27 estados brasileiros. A pesquisa também encontrou evidências de circulação do vírus no país e registrou casos com manifestações neurológicas e óbitos.

Em 2026, um estudo epidemiológico também descreveu a confirmação de um caso humano de febre do Nilo Ocidental em Mato Grosso, considerado o primeiro caso confirmado naquele Estado. A ocorrência mobilizou equipes de vigilância epidemiológica, ambiental e laboratorial.

Existe risco de surto em Santa Catarina?

De acordo com a informação repassada à reportagem pelo superintendente Fábio Gaudenzi, o caso registrado em Imbituba é considerado isolado neste momento.

A confirmação de um único caso não significa, automaticamente, que exista um surto ou uma epidemia no Estado. A partir de uma ocorrência, as autoridades de saúde podem ampliar as investigações para verificar a existência de outros casos e avaliar a circulação do vírus na região.

A vigilância é importante porque o vírus depende de um ciclo envolvendo mosquitos e aves. A identificação do agente em determinada região pode exigir investigação ambiental e epidemiológica para verificar possíveis áreas de circulação.

Como é feito o diagnóstico?

A confirmação da infecção pode envolver exames laboratoriais, incluindo testes para identificação de anticorpos e métodos moleculares, como o RT-PCR.

A avaliação médica é importante porque os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças transmitidas por mosquitos.

Existe tratamento?

Atualmente, não existe um medicamento específico capaz de eliminar o vírus do Nilo Ocidental. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e, nos casos graves, em cuidados hospitalares e suporte às complicações provocadas pela infecção.

Também não existe, até o momento, vacina licenciada para uso humano contra a doença.

Como a população pode se prevenir?

Como a principal forma de transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados, as medidas de prevenção estão relacionadas principalmente à redução da exposição aos mosquitos e ao controle de criadouros.

A população deve evitar o acúmulo de água parada, manter recipientes que possam acumular água devidamente protegidos e adotar medidas individuais para reduzir o contato com mosquitos.

A reportagem continuará acompanhando o caso e as informações divulgadas pelas autoridades sanitárias de Santa Catarina.

imagem_2026-08-24_100201289_Easy-Resize
imagem_2026-08-24_094956961_Easy-Resize
55475109202_4a32f2b7c2_b_Easy-Resize
imagem_2026-08-21_105829792_Easy-Resize
imagem_2026-08-21_093927230_Easy-Resize