EPISÓDIO 2 – APRESENTAÇÃO (PARTE 2)

4 de novembro de 2025

INTRODUÇÃO: Olá, meu irmão, minha irmã na fé. Aqui é o prof. Rudy de Assunção. Bem-vindo mais uma vez ao nosso Programa “O que a minha Igreja diz”. Você quer aprofundar a sua fé? Quer ter uma fé mais consciente, mais adulta? Fique conosco! Aqui você aprende sobre a fé da Igreja Católica. Por isso, eu tenho um convite, uma exortação para você com cinco cês (C): Pegue o seu Compêndio, o seu Caderno, a sua Caneta e o seu Café. E coragem!

Antes ainda de chegamos no tema do Catecismo ou do Compêndio, precisamos falar da autoridade de ensinar na Igreja. Todos, em geral, temos uma Bíblia em casa. Infelizmente, muitos de nós católicos, deixamos a nossa Bíblia numa estantezinha ou sobre uma mesa, uma cômoda, aberta em algum salmo. Ela não é usada nem como livro, só como enfeite. Ainda assim, se você tem consciência de que ali está a mensagem de Deus para a Igreja e para você, irá tentar lê-la ou rezá-la todo dia. Mas se você é católico sabe que a Bíblia Sagrada exige um intérprete e ele não é você, em primeiro lugar. Deus é o autor da Bíblia, mas os autores humanos são verdadeiros autores. A Bíblia Católica contém 73 livros, escritos ao longo de mais de mil anos. Do Gênesis ao Apocalipse há um desfile de nomes, de lugares, que não conhecemos e que, muitas vezes, nos são estranhos. Mais do que isso: a Bíblia contém doutrinas diversas, leis, profecias, narrações, poemas, orações… Todo tipo de texto, de gênero literário, que pode nos confundir. É claro que não estou dizendo tudo isso para afastá-lo da Bíblia. Nada mais distante do meu intuito aqui. O que estou dizendo é que a Bíblia é diversificada; é a Palavra de Deus na roupagem da língua humana; Palavra e vontade de Deus com as palavras e escolhas de vocabulário também humanas. Homens e mulheres de profissões, idades, culturas e lugares diferentes. Mas a questão que fica é: como interpretar tudo isso? O que continua válido e o que ficou superado? A Igreja tem uma chave de leitura: Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro “resumo” da Bíblia, a Palavra que resume todas as palavras. Tudo n’Ele se explica e se esclarece. Na Missa dizemos “Palavra do Senhor”, “Palavra da Salvação”, no singular: estamos falando de Jesus, não das palavras do texto bíblico!

O Espírito Santo, o Espírito de Cristo, o mesmo que inspirou os redatores bíblicos, está em nós, age e fala em nós, claro. Contudo, sabemos muito bem que o nosso pecado nos atrapalha e que a nossa imaginação tem asas largas, que nos fazem pensar muitas coisas, inclusive coisas erradas sobre Deus. Foi por isso que Jesus deixou os Doze Apóstolos e, eles, os seus sucessores, os Bispos. Eles são os responsáveis pelo ensino da Palavra. Termo técnico para isso: Magistério Eclesiástico. Domenico Grasso explicava bem o que isso significa: “o magistério autêntico é um magistério vivo, no sentido de que é exercido por pessoas vivas, seja com a palavra, seja com os textos; externo, porque provém não de uma interna inspiração do Espírito Santo, mas da palavra de pessoas postas fora de nós; tradicional, porque tem a obrigação de propor as verdades já reveladas por Deus sem pode acrescentar-lhes nada de novo; e finalmente infalível” .
A eles, Papa e Bispos, Deus confiou a interpretação correta e fiel da Palavra, porque lhes garantiu assistência. Jesus olha para Pedro e lhe diz: “eu orei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22, 32). Em termos simples: Deus não deixou um livro escrito, bonitinho, com zíper (como brincam alguns padres) para cada um interpretar a Bíblia a seu modo. A Bíblia é um livro vivo dado a uma comunidade viva, a Igreja e que tem ministros sagrados. O magistério da Igreja é bíblico! Está dentro dela e não contra ela! Você sabe que Deus não deixaria você à mercê nem da inteligência (erudição, estudo) de alguém, nem da sua eloquência ou capacidade retórica, nem do seu carisma pessoal, nem da sua habilidade de editar vídeos para o Youtube, a fim de obter a verdadeira interpretação bíblica.

Se você gosta de ler sabe que um livro comum, de literatura, se presta a muitas interpretações. Entre no Youtube e veja quantos canais literários existem e quantas interpretações diferentes podem ser feitas sobre uma única obra. Se você leu Dom Casmurro na escola, querendo ou não, teve de se perguntar se Capitu traiu Bentinho. (Eu sou da opinião que sim; ela o traiu, com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”). Veja: se isso acontece com um livro de literatura, ou seja, não revelado por Deus, imagine com a Palavra divina! E o detalhe é: o modo como você interpreta Dom Casmurro pode não ter impacto real na sua vida (a não ser que você seja um professor de literatura ou algo parecido). Mas quando estamos falando da Palavra de Deus o que está em jogo é a sua vida: esta e a futura. Está em jogo a verdade que orienta o seu viver e a verdade que pode lhe levar para o céu. Inclusive é a Palavra de Deus que lhe diz que existe um céu pelo qual se deve viver. Então a interpretação correta, fiel, importa; ou deveria importar para você. Jesus, ao fundar a Igreja, não jogou as suas palavras ao vento. É claro que ele garantiu a sua presença entre nós, onde dois ou três estiverem reunidos em nome d’Ele (cf. Mt 18, 20) ou que o Espírito Santo ensinaria aos Apóstolos todas as coisas e os faria lembrar de tudo o que ele tinha dito (cf. Jo 14, 26). Mas ainda assim, o próprio São João, ciente dessa promessa, nos advertiu que tudo o que ele escreveu não era tudo o que Jesus disse (cf. Jo 21, 25), pois o mundo inteiro não conteria os livros que poderiam ser escritos com suas palavras; João era apóstolo, não repórter nem escrivão de Jesus. Ele, como os outros, como alicerce da Igreja, era guardião da memória viva de Jesus: uma testemunha. Igualmente foi ele que disse contra as tendências heréticas da gnose do seu tempo: “Quanto a vós, a unção que dele recebestes permanece convosco, e não tendes necessidade que alguém vos ensine. A unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa” (1 Jo 2, 27). Isso significa que cada um pode interpretar a Bíblia livremente? Não! Até porque esse texto mesmo precisa de uma explicação, de um “ensino” prévio. Para falar bonito: de uma hermenêutica. Não há texto sem interpretação; não há interpretação sem contexto; e não há interpretação correta sem uma instância que ponha fim à disputa entre os intérpretes: essa instância é juíza e também é mãe. É a Igreja. A unção que tudo ensina é a unção batismal. Não é só o Espírito que dado com o Batismo; mas a correta instrução vem com ele, que é dada pelos ministros legítimos da Igreja – Apóstolos; Bispos, Padres, Diáconos – que receberam precisamente o Espírito Santo para o exercer o magistério. O Espírito Santo que fez a Bíblia fez o ministro sagrado, que faz, por sua vez, o magistério; o Espírito que inspirou a Bíblia sustenta o que a interpreta. Não basta abrir a Bíblia e querer ensinar. A legitimidade do ensino não depende da inspiração interna, mas da legitimidade externa que confere a Igreja. Dito de outro modo: ensina na Igreja aquele que é reconhecido e autorizado por aqueles que receberam essa autoridade vinda diretamente de Cristo. Sem esse elo, tudo é impostura, mesmo que se pretenda bem-intencionada.

Assim, a Igreja, ao longo dos séculos, foi interpretando o inesgotável tesouro da Palavra de Deus. Papas (cabeças da Igreja), teólogos (especialistas na ciência da fé), concílios (que são reuniões de bispos), santos (que viveram e encarnaram a fé, o Evangelho) ensinaram

a fé correta, reta, ortodoxa, segura, verdadeira. Mas onde a encontramos: nos documentos da Igreja. Hoje – ou ao menos para a toda a Igreja desde o séc. XVI – no Catecismo universal, ou seja, no livro de ensino oficial e catequético para a Igreja do mundo todo.

ENCERRAMENTO: Meu irmão, minha irmã, não deixe de nos acompanhar todos os dias aqui na Tubá. Se você quiser ler o Compêndio do Catecismo, ele está disponível no site do Vaticano ou em nossa Livraria Diocesana, no formato físico. Se você quiser acessar as gravações completas do nosso programa, entre em radiotuba.com.br, vá até o banner “O que a minha Igreja diz” e aproveite todo o nosso conteúdo por lá.
Um grande abraço e fique com Deus, na Igreja!


[1] Domenico Grasso, O problema de Cristo, Loyola, São Paulo 1967, p. 230.

 

EPISÓDIO 2 – APRESENTAÇÃO (PARTE 2)

4 de novembro de 2025

INTRODUÇÃO: Olá, meu irmão, minha irmã na fé. Aqui é o prof. Rudy de Assunção. Bem-vindo mais uma vez ao nosso Programa “O que a minha Igreja diz”. Você quer aprofundar a sua fé? Quer ter uma fé mais consciente, mais adulta? Fique conosco! Aqui você aprende sobre a fé da Igreja Católica. Por isso, eu tenho um convite, uma exortação para você com cinco cês (C): Pegue o seu Compêndio, o seu Caderno, a sua Caneta e o seu Café. E coragem!

Antes ainda de chegamos no tema do Catecismo ou do Compêndio, precisamos falar da autoridade de ensinar na Igreja. Todos, em geral, temos uma Bíblia em casa. Infelizmente, muitos de nós católicos, deixamos a nossa Bíblia numa estantezinha ou sobre uma mesa, uma cômoda, aberta em algum salmo. Ela não é usada nem como livro, só como enfeite. Ainda assim, se você tem consciência de que ali está a mensagem de Deus para a Igreja e para você, irá tentar lê-la ou rezá-la todo dia. Mas se você é católico sabe que a Bíblia Sagrada exige um intérprete e ele não é você, em primeiro lugar. Deus é o autor da Bíblia, mas os autores humanos são verdadeiros autores. A Bíblia Católica contém 73 livros, escritos ao longo de mais de mil anos. Do Gênesis ao Apocalipse há um desfile de nomes, de lugares, que não conhecemos e que, muitas vezes, nos são estranhos. Mais do que isso: a Bíblia contém doutrinas diversas, leis, profecias, narrações, poemas, orações… Todo tipo de texto, de gênero literário, que pode nos confundir. É claro que não estou dizendo tudo isso para afastá-lo da Bíblia. Nada mais distante do meu intuito aqui. O que estou dizendo é que a Bíblia é diversificada; é a Palavra de Deus na roupagem da língua humana; Palavra e vontade de Deus com as palavras e escolhas de vocabulário também humanas. Homens e mulheres de profissões, idades, culturas e lugares diferentes. Mas a questão que fica é: como interpretar tudo isso? O que continua válido e o que ficou superado? A Igreja tem uma chave de leitura: Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro “resumo” da Bíblia, a Palavra que resume todas as palavras. Tudo n’Ele se explica e se esclarece. Na Missa dizemos “Palavra do Senhor”, “Palavra da Salvação”, no singular: estamos falando de Jesus, não das palavras do texto bíblico!

O Espírito Santo, o Espírito de Cristo, o mesmo que inspirou os redatores bíblicos, está em nós, age e fala em nós, claro. Contudo, sabemos muito bem que o nosso pecado nos atrapalha e que a nossa imaginação tem asas largas, que nos fazem pensar muitas coisas, inclusive coisas erradas sobre Deus. Foi por isso que Jesus deixou os Doze Apóstolos e, eles, os seus sucessores, os Bispos. Eles são os responsáveis pelo ensino da Palavra. Termo técnico para isso: Magistério Eclesiástico. Domenico Grasso explicava bem o que isso significa: “o magistério autêntico é um magistério vivo, no sentido de que é exercido por pessoas vivas, seja com a palavra, seja com os textos; externo, porque provém não de uma interna inspiração do Espírito Santo, mas da palavra de pessoas postas fora de nós; tradicional, porque tem a obrigação de propor as verdades já reveladas por Deus sem pode acrescentar-lhes nada de novo; e finalmente infalível” .
A eles, Papa e Bispos, Deus confiou a interpretação correta e fiel da Palavra, porque lhes garantiu assistência. Jesus olha para Pedro e lhe diz: “eu orei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22, 32). Em termos simples: Deus não deixou um livro escrito, bonitinho, com zíper (como brincam alguns padres) para cada um interpretar a Bíblia a seu modo. A Bíblia é um livro vivo dado a uma comunidade viva, a Igreja e que tem ministros sagrados. O magistério da Igreja é bíblico! Está dentro dela e não contra ela! Você sabe que Deus não deixaria você à mercê nem da inteligência (erudição, estudo) de alguém, nem da sua eloquência ou capacidade retórica, nem do seu carisma pessoal, nem da sua habilidade de editar vídeos para o Youtube, a fim de obter a verdadeira interpretação bíblica.

Se você gosta de ler sabe que um livro comum, de literatura, se presta a muitas interpretações. Entre no Youtube e veja quantos canais literários existem e quantas interpretações diferentes podem ser feitas sobre uma única obra. Se você leu Dom Casmurro na escola, querendo ou não, teve de se perguntar se Capitu traiu Bentinho. (Eu sou da opinião que sim; ela o traiu, com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”). Veja: se isso acontece com um livro de literatura, ou seja, não revelado por Deus, imagine com a Palavra divina! E o detalhe é: o modo como você interpreta Dom Casmurro pode não ter impacto real na sua vida (a não ser que você seja um professor de literatura ou algo parecido). Mas quando estamos falando da Palavra de Deus o que está em jogo é a sua vida: esta e a futura. Está em jogo a verdade que orienta o seu viver e a verdade que pode lhe levar para o céu. Inclusive é a Palavra de Deus que lhe diz que existe um céu pelo qual se deve viver. Então a interpretação correta, fiel, importa; ou deveria importar para você. Jesus, ao fundar a Igreja, não jogou as suas palavras ao vento. É claro que ele garantiu a sua presença entre nós, onde dois ou três estiverem reunidos em nome d’Ele (cf. Mt 18, 20) ou que o Espírito Santo ensinaria aos Apóstolos todas as coisas e os faria lembrar de tudo o que ele tinha dito (cf. Jo 14, 26). Mas ainda assim, o próprio São João, ciente dessa promessa, nos advertiu que tudo o que ele escreveu não era tudo o que Jesus disse (cf. Jo 21, 25), pois o mundo inteiro não conteria os livros que poderiam ser escritos com suas palavras; João era apóstolo, não repórter nem escrivão de Jesus. Ele, como os outros, como alicerce da Igreja, era guardião da memória viva de Jesus: uma testemunha. Igualmente foi ele que disse contra as tendências heréticas da gnose do seu tempo: “Quanto a vós, a unção que dele recebestes permanece convosco, e não tendes necessidade que alguém vos ensine. A unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa” (1 Jo 2, 27). Isso significa que cada um pode interpretar a Bíblia livremente? Não! Até porque esse texto mesmo precisa de uma explicação, de um “ensino” prévio. Para falar bonito: de uma hermenêutica. Não há texto sem interpretação; não há interpretação sem contexto; e não há interpretação correta sem uma instância que ponha fim à disputa entre os intérpretes: essa instância é juíza e também é mãe. É a Igreja. A unção que tudo ensina é a unção batismal. Não é só o Espírito que dado com o Batismo; mas a correta instrução vem com ele, que é dada pelos ministros legítimos da Igreja – Apóstolos; Bispos, Padres, Diáconos – que receberam precisamente o Espírito Santo para o exercer o magistério. O Espírito Santo que fez a Bíblia fez o ministro sagrado, que faz, por sua vez, o magistério; o Espírito que inspirou a Bíblia sustenta o que a interpreta. Não basta abrir a Bíblia e querer ensinar. A legitimidade do ensino não depende da inspiração interna, mas da legitimidade externa que confere a Igreja. Dito de outro modo: ensina na Igreja aquele que é reconhecido e autorizado por aqueles que receberam essa autoridade vinda diretamente de Cristo. Sem esse elo, tudo é impostura, mesmo que se pretenda bem-intencionada.

Assim, a Igreja, ao longo dos séculos, foi interpretando o inesgotável tesouro da Palavra de Deus. Papas (cabeças da Igreja), teólogos (especialistas na ciência da fé), concílios (que são reuniões de bispos), santos (que viveram e encarnaram a fé, o Evangelho) ensinaram

a fé correta, reta, ortodoxa, segura, verdadeira. Mas onde a encontramos: nos documentos da Igreja. Hoje – ou ao menos para a toda a Igreja desde o séc. XVI – no Catecismo universal, ou seja, no livro de ensino oficial e catequético para a Igreja do mundo todo.

ENCERRAMENTO: Meu irmão, minha irmã, não deixe de nos acompanhar todos os dias aqui na Tubá. Se você quiser ler o Compêndio do Catecismo, ele está disponível no site do Vaticano ou em nossa Livraria Diocesana, no formato físico. Se você quiser acessar as gravações completas do nosso programa, entre em radiotuba.com.br, vá até o banner “O que a minha Igreja diz” e aproveite todo o nosso conteúdo por lá.
Um grande abraço e fique com Deus, na Igreja!


[1] Domenico Grasso, O problema de Cristo, Loyola, São Paulo 1967, p. 230.